Diálogos: O sexo no casamento - as mulheres 

André Soares & Ana Souza

12/09/2019

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André: Ana, sobre a problemática do sexo no casamento, a que você atribui a progressiva e generalizada falência do sexo prazeroso que ocorre na imensa maioria dos matrimônios?

Ana: Podemos atribuir a inúmeros fatores conjugais. Mas, com intuito de seguirmos uma linha objetiva, considero importante escolhermos um desses fatores e tentarmos aprofundá-lo.

André: Exatamente. O que sugere?

Ana: Geralmente as pessoas se casam já com a questão sexual falida. No entanto, consideremos que não, principalmente hoje em dia, em que "casar", entre os jovens, é muito "fácil". Depois que o casamento acontece, geralmente as mulheres passam a se preocupar muito com seus maridos e demasiadamente pouco com a sua liberdade pessoal. Essa é uma das inúmeras abordagens que sugiro. Podemos seguir adiante?

André: Por favor! Continue com sua abordagem!

Ana:  As mulheres passam a acreditar que o marido é algo que se possui, que se detém, e isso é totalmente inconsciente por parte delas. Portanto, essa postura não acontece por maldade ou falta de amor das mulheres, mas sim pelo fato de que elas querem que tudo dê certo na sua nova vida conjugal, e por isso acham que devem ter o controle. É necessário que se saiba de tudo, que se pergunte tudo, que haja o absoluto "domínio" do seu novo "patrimônio".

André: Ana, mas por que as mulheres se comportam assim?

Ana: Inconscientemente e erroneamente as esposas acham que isto é garantia de sucesso. Controlar o parceiro é algo que inevitavelmente destrói qualquer tipo de inteligência emocional dentro de uma relação.

André: Você poderia nos dar um exemplo?

Ana: Sim. O horário de se chegar em casa, depois de um dia de trabalho cansativo, por exemplo, é primordial para o sucesso inicial de um casamento. Não se pode atrasar, ou não se pode ter nenhuma reunião fora do horário, porque isso compromete “o jantar” que a esposa quer servir pontualmente e, principalmente, compromete a credibilidade do marido. E é nessa hora de fato e em geral que os maridos passam realmente a produzir mais no trabalho porque, inevitavelmente, o homem quer desempenhar seu papel de provedor. Mas trabalhar mais, neste momento inicial de um casamento, é um fracasso. Demonstra desinteresse. As coisas já não são como eram antes!

André: E como a mulher normalmente reage a essa situação?

Ana: A esposa então, ao invés de realmente dominar a situação e preocupar-se de fato com a saúde do seu casamento, começa a criar inúmeras pressões conjugais que obrigam seus parceiros a mentirem. Fica claro que entre o casal existe um imenso despreparo emocional, principalmente por falta de maturidade e de sabedoria sobre o que é uma vida a dois de sucesso. Com a primeira mentira descoberta, vem a certeza da desconfiança de uma vida. Todo o pra trás da relação passa a ser duvidoso.

André: Podemos entender então que a partir daí, começa de fato a falência do sexo no casamento?

Ana: Na verdade, essa falência sexual se agrava ainda mais porque a mulher, ao invés de tornar-se mais interessante para si própria, priorizando a sua liberdade emocional e existencial, desenvolve uma atmosfera de fantasias e ilusões descabidas e prejudiciais para o convívio conjugal. A relação familiar baseia-se, a partir de então, no medo, incertezas e conflitos internos. Esse contexto de desarmonia sugere o desinteresse de ambas as partes. A esposa não quer se relacionar com o marido "mentiroso". O marido por sua vez, não tem ideia de como reverter a favor do casamento essa situação inóspita.

André: Imagino que a essa altura a felicidade conjugal e sexual no casamento já estão seriamente comprometidas.

Ana: E a tendência é que tudo ainda piore, porque o homem passa a se sujeitar a todas as exigências da esposa com objetivo de agradá-la ou evitar conflitos, além de continuar mentindo. E isto, naturalmente, o torna desinteressante. Porque de alguma forma a mulher passou a ter o "domínio ilusório" da situação. Mas não salvou seu tão desejado casamento. Ele passa a fazer, angustiadamente, aquilo que é necessário ser feito, mas sem o menor interesse de alma. E, quando não se tem prazer em fazer algo que se faz, então não há entrega, não há sentido, não há harmonia.

André: Como fica então a estrutura psicológica dos cônjuges?

Ana: O homem então perde seu estímulo de conquista, de sexualidade, de fantasia, de sensualidade. As mulheres reclamam que os maridos não tem mais interesse sexual nelas e por sua vez elas também não o tem, pelo o que eles se tornaram, pelas mentiras e porque agora elas é quem comandam. Só que elas comandam um engodo e não um casamento.

André: Como você sugeriria para se tentar evitar essa infelicidade sexual conjugal?

Ana: Se os homens soubessem se manter intactos, sem a necessidade de mentir, se transmitissem confiança nas suas ações e transparência nas suas atitudes, com coragem e dignidade, esse fracasso seria evitado. Se os homens tivessem o mínimo sequer de tato, de inteligência emocional, ou de sensibilidade íntima para conduzir com sabedoria a situação familiar, talvez eles não precisassem desempenhar o papel de "marionetes falsas" no seu contexto conjugal, tornando-se homens fatalmente desinteresses. E talvez elas não deixariam de ter desejo sexual por eles. E talvez o casamento pudesse dar certo, pelo menos por algum tempo a mais e suficiente, para que ambos pudessem adquirir conhecimento do mínimo necessário para se ter um casamento saudável e com desejo.  

Ana Souza é Bacharel em Administração; MBA em Gerenciamento Estratégico de  Projetos; ​​Mestrando em Administração.

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