O engodo "psicoterapeuta"

Artigo de André Soares - 10/03/2021

 

 

“Se puder, não vá ao médico” é um livro de autoria do professor e cirurgião Antonio Sitges-Serra, alertando que a indústria médica é capitalista como qualquer outra e que o “negócio” da medicina faz todos se acharem doentes em potencial, quando de fato não estão. Nesse mesmo contexto, reafirmo peremptoriamente: cuidado com “psicoterapias”! Minha justificativa? A mesma do cirurgião Antonio Sitges-Serra.

Segundo o dicionário Aurélio, “psicoterapia é a aplicação metódica de técnicas psicológicas determinadas para restabelecer o equilíbrio emocional perturbado de um indivíduo.” Portanto, está claro que psicoterapia é tratamento médico que objetiva precipuamente a cura de pessoas doentes ou com sérias perturbações psíquicas. Todavia, a “comunidade psicoterapeuta” vem prestando sistematicamente e de longa data um hediondo desserviço à humanidade, pois ferindo de morte o juramento de Hipócrates, “Pai da Medicina”, ao qual deveria ter absoluta obediência e devoção profissional, do qual se destaca aqui, pelo menos dois de seus paradigmas:

  • “A vida que professar será para benefício dos doentes e para o meu próprio bem, nunca para prejuízo deles ou com malévolos propósitos.”
  • “Em todas as casas em que entrar, fá-lo-ei apenas para benefício dos doentes, evitando todo o mal voluntário e a corrupção, especialmente a sedução das mulheres, dos homens, das crianças e dos servos.”

Isso porque a “comunidade psicoterapeuta”, em detrimento das melhores práticas de saúde mental e contrariamente ao juramento de Hipócrates, vem alardeando massivamente à sociedade a desinformação abjeta de que absolutamente todas as pessoas devem se submeter a tratamentos psicoterapeutas, notadamente as pessoas mentalmente saudáveis. E vão mais além nessa escabrosa mentira, inclusive elencando inúmeros supostos “benefícios” que a psicoterapia proporcionaria às pessoas mentalmente sãs. Quanto engodo e má fé atentatórios contra a própria medicina e principalmente a saúde humana!

Porque recomendar tratamento psicoterapeuta a pessoas normais e mentalmente saudáveis é tão nocivo à saúde humana como prescrever medicação a pessoas sãs. E a consequência fatal e inevitável dessa desinformação psicoterapeuta é o adoecimento mental de sociedades inteiras, cuja comprovação inequívoca é a sua cabal contribuição para o agravamento da "crise do século XXI", ou "mal do século", que é a pandemia de doenças e transtornos mentais da atualidade, cuja projeção da Organização Mundial de Saúde (OMS) prevê se tornar até 2030 a patologia mais prevalente no planeta, à frente do câncer e algumas doenças infecciosas; e que, evidentemente, estão lotando os consultórios psicológicos e psiquiátricos, cada vez mais repletos de homens, mulheres e crianças, fragilizados e doentes da psique. 

Nesse sentido, vale ressaltar que o enfrentamento de graves problemas e dificuldades, bem como de momentos de grande sofrimento e tristeza, fazem parte do transcurso natural da vida; os quais as pessoas normais e mentalmente saudáveis estão plenamente aptas a superar exclusivamente por si mesmas, fortalecendo-se no único e natural processo psíquico de autoconhecimento e auto-aperfeiçoamento.

Portanto, se você é uma dessas pessoas, repito: cuidado com “psicoterapias”! Porque se você for capturado por essa desinformação, muito provavelmente se tornará mais uma dentre as milhares de pessoas que eram normais e mentalmente saudáveis, mas que foram irreversivelmente fragilizadas, adoecidas e escravizadas pelo rentável “negócio" psicoterapeuta.

 

 

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