Quando o seu maior problema é você - a descoberta

Artigo de André Soares - 25/12/2019

 

 

Diversas pessoas no mundo têm sua biografia caracterizada por uma sucessão de malogros e insucessos, que demandam uma avalanche interminável de fracassos em suas vidas. Em geral, tais pessoas justificam falsamente o mau agouro de seus desígnios alegando adversidades exógenas, e atribuindo-os também a fatores esotéricos e sobrenaturais inexistentes. Todavia, uma análise racional e objetiva desvelará uma causalidade comum à desgraça da maioria desses indivíduos: eles próprios. Ou seja: a verdadeira genealogia de suas vidas problemáticas e decadentes decorre deles mesmos, condenados a persistirem eternamente num ciclo vicioso de erros, conduzindo seus destinos ao inevitável caos. O restante da humanidade constitui a segunda categoria de pessoas, cuja biografia é caracterizada por uma vida desprovida de aspirações e propósitos e marcada completamente por intermináveis e sérios problemas, relegando seu destino ao mundo fétido da mediocridade. Identicamente à categoria anterior, uma análise racional e objetiva desvelará uma causalidade comum à mediocridade do restante da humanidade: os próprios indivíduos. Contudo, há uma terceira e última categoria, na qual você estará indubitavelmente enquadrado caso não esteja nas duas anteriores. Esta, contrariamente, é constituída por pessoas possuidoras de uma biografia respeitável, dotadas de grande competência e de valorosos atributos pessoais; mas que, apesar de todo empenho e esforço demandados, não conquistam o sucesso e a realização tão almejados, em decorrência também da interposição de problemas sérios e persistentes em suas vidas, a inviabilizarem a consecução de seus principais objetivos. Portanto, preste muita atenção! Porque muito provavelmente este pode ser o seu caso. E se for, não se deixe enganar! Porque significa que, ao contrário do que possa imaginar, o seu maior problema também está sendo você mesmo.

Para compreender melhor esse fenômeno degenerativo que prejudica indistintamente a vida de todos, e sem exceção, lançarei mão de uma elucidativa analogia com a adversidade de se perder num lugar inóspito ou perigoso. Porquanto essa analogia demonstra que em ambas as situações as pessoas são acometidas por três idênticos momentos psicológicos. E, caso eles não sejam identificados e superados de imediato, não haverá salvação em nenhum dos dois casos.

O primeiro momento psicológico é o mais grave. Porque é quando a pessoa já está perdida de fato num lugar inóspito ou perigoso, mas ainda não sabe nem tem consciência disso, e nem de que está vulnerável a adversidades. Assim, achando que tudo está bem e que está trilhando o caminho certo, a pessoa perdida persiste sempre nos mesmos erros que a fizeram se perder, agravando ingentemente seu infortúnio, até perder-se irreversivelmente. Portanto, se você for de fato o seu maior problema, mas ainda não tiver consciência dessa adversidade a que está sendo exposto por si mesmo, significa que você está trilhando a passos largos e promovendo irreversivelmente o caminho para o seu próprio caos.

O segundo momento psicológico é de todo crucial para a salvação tanto de quem está perdido num lugar inóspito ou perigoso, como de quem é o maior problema de si mesmo, mas ainda não sabe. Porque é quando a realidade começa a dar “gritos de alerta” à consciência da pessoa perdida, advertindo-lhe que algo está errado com o seu destino. Isso se dá por meio de sinais claros e objetivos que demonstram que a pessoa está realmente perdida e no lugar errado. E o principal deles está na constatação cada vez mais inequívoca de que o destino certo que a pessoa está procurando, por mais que ela esteja persistindo em achar, nunca é encontrado. Portanto, se você for de fato o seu maior problema, mas ainda não tem consciência disso, saiba então que a realidade certamente já lhe vem dando “gritos de alerta”, desde há muito tempo, advertindo-lhe objetivamente por meio de inúmeros sinais indicativos de que há algo errado com sua vida. E o principal deles está na constatação cada vez mais inequívoca de que o seu tão almejado sucesso e realização pessoais nunca são conquistados por você, a despeito de todos os seus esforços nesse sentido. E o pior - estão ficando cada vez mais inviáveis e distantes, não é mesmo? Então, “acorde” para a realidade! E não cometa o suicídio de ignorá-la mais. Nem cometa também o gravíssimo erro de se autoenganar, fugindo para sua “zona de conforto” e atribuindo a terceiros a culpa pelos seus problemas, por tudo que lhe acontece de ruim, e pelo fato da sua vida não acontecer como gostaria. Passe imediatamente a enfrentar a dura e inconveniente verdade de que os problemas que estão inviabilizando sua vida, muito provavelmente estão se originando a partir de você mesmo. Todavia, a má notícia é que infelizmente a imensa maioria ignora os “gritos de alerta” e prefere viver escondida no autoengano.

Chegamos ao terceiro e derradeiro momento psicológico que é quando a verdade de se estar perdido em lugar inóspito ou perigoso se impõe avassaladoramente à pessoa, em decorrência das graves e inescapáveis contingências que ela passa a ser vítima, as quais são consequências diretas do destino caótico que ela mesma criou. O sentimento que invariavelmente invade o íntimo de quem vivencia essa adversidade é o pânico e o desespero, que se incontroláveis sempre remetem a um desfecho fatídico. Contudo, ressalta-se que aqui reside a única exceção dessa analogia. Porque quem está perdido em lugar inóspito ou perigoso, por mais que persista em negar essa verdade, mais cedo ou mais tarde será obrigado a reconhecê-la indubitavelmente. Mas, diferentemente, quando a pessoa é o maior problema de si mesma, por mais que a realidade lhe escancare essa verdade inconteste, e ela sofra as graves e inescapáveis contingências do destino caótico que ela mesma criou para si, o autoengano sempre reinará absoluto para a imensa maioria, que continuará assim por toda a vida.

A não ser que você seja uma das raríssimas e privilegiadas pessoas enquadradas na terceira categoria, mas que são dotadas dos dois principais atributos de personalidade cruciais para se desvelar essa verdade incrivelmente dolorosa sobre si mesmo, vencer o pânico e o desespero que invariavelmente invadem o íntimo de quem alcança esse autoconhecimento, e salvar-se desse infortúnio: inteligência operacional e muita coragem. Neste caso, a boa notícia é que há uma tênue luz de esperança no “fim do túnel” de que se consiga vencer esse desafio, que representa uma “Missão Impossível”. Porque somente será cumprida por quem tiver a incrível capacidade de transcender-se a si próprio. Isso significa promover a superação pessoal de ir muito além de si mesmo, desconstruindo-se e metamorfoseando-se por completo, num auto aperfeiçoamento permanente. Caso você seja um deles, então considero importante seguir essa tênue luz de esperança no “fim do túnel, lendo “Quando o seu maior problema é você – a transcendência”.

 

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